Relações Acabadas = Mortes Confirmadas



Rei morto, Rei posto.



As relações quando terminam, fazem-me lembrar quando nos morre alguém. Principalmente quando somos apanhados de surpresa. A pessoa que nos abandona é a pessoa que nos morre. Choramo-la e, enquanto choramos, até nos vamos certificar se  realmente morreu - às vezes estrebucham e já não se faz o funeral.

Depois do "óbito" confirmado, voltamos a chorar, desta vez copiosamente. No velório, enquanto fazemos pausa no choro, tecemos os comentários da praxe "Era tão boa pessoa...", "Estava tudo a correr tão bem", "Não sei o que lhe deu...". Após o velório, vem o funeral propriamente dito. Enterra-se o morto e continua-se a chorar. Chega a parte do luto. De vez em quando ainda nos cai uma lagriminha ao recordarmos a pessoa que perdemos, lembramos-nos de um ou outro episódio caricato e esboçamos um sorriso... Noutros casos, há quem solte uma gargalhada... Noutros, no caso de pessoas mais velhas, solta-se um "peido" envergonhado com muito molho, ou simplesmente se solta a "placa".

Como o tempo vai curando algumas "mazelas" feitas ao coração... Um dia acordamos, e temos a consciência e a presença de espírito suficientes, para dizermos com toda a segurança que a pessoa que "morreu", afinal não era assim tão boa pessoa... Antes pelo contrário, "aquela pessoa mereceu morrer, não andava aqui a fazer nada !".
Claro, que como bons Humanos que somos, a partir desse dia vamos logo procurar alguém que nos possa proporcionar, e fazer passar, pelos mesmos sentimentos de perda já vividos no "outro funeral".

Talvez o único facto a relevar disto tudo é que, em ambos os casos, somos nós o "carrasco" e somos nós o "cangalheiro"... Carregamos o caixão - com o morto - até ao buraco, e cobrimos-o com a terra que consumirá o seu esquecimento. Rei morto, Rei posto...




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